Login Senha:
   

Sinais Positivos

A pesquisa "Saneamento, Saúde e o Bolso do Consumidor", lançada pelo Instituto Trata Bra­ sil e a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que em 2007, ano em que o PAC foi lançado pelo governo federal, o saneamento básico foi o serviço público que teve o maior crescimento no país, atingindo 49,44%. Isso representa um salto de 5% em relação ao ano de 2006. Mas, ape­ sar deste índice favorável, ainda há muito a fazer, pois o Bra­ sil é o 67° colocado no ranking mundial de países com acesso a esgoto, de acordo com dados da ONU. Na velocidade dos últi­ mos anos, seria necessário meio século para a falta de sanea­ mento básico cair à metade.

No entanto, o déficit de rede geral de esgoto (coleta), que era de 53,23% em 2006, caiu para 50,56% em 2007. Sem falar na falta de tratamento no esgoto coletado. Nas grandes cida­ des esse número corresponde a pouco menos de um terço, apesar das fortes economias de escala presentes. "Como atual-mente 80% da população bra­sileira vive em cidades, é nelas que deveriam ser feitos os inves­ timentos", afirma Raul Pinho, presidente do Trata Brasil.

A pesquisa mostra que, com o aumento da rede coletora de esgoto, as doenças infecciosas o e parasitárias ausaram menos W mortes entre crianças de 1 a 4 anos. "Este índice vinha cres­ cendo desde 1996, mas em 2007 teve uma queda de 14,1% em relação a 2006", explica Marcelo Neri, coordenador da pesquisa e economista da FGV.

Para o pediatra e toxicolo- gista Anthony Wong, do Hospi­ tal das Clínicas da Universidade de São Paulo e embaixador do Instituto Trata Brasil, é triste ver que o Brasil ocupa apenas a 67 a posição no ranking. "Sem edu­ cação, as pessoas ficam igno­ rantes, mas sem saneamento, as pessoas ficam doentes e também não têm acesso à educação por causa da doença."

"O déficit de rede geral de coleta de esgoto, que era de 53,23% em 2006, caiu para 50,56% em 2007"

O Instituto Trata Brasil tam­ bém concluiu o segundo rela­ tório de pesquisa realizada na Vila Dique, em Porto Alegre, que tem como objetivo correla­ cionar a falta de saneamento na região e a saúde de seus mora­ dores. Depois de ouvir 1988 pessoas de 537 famílias, verifi­ cou-se que 62,7% das doenças registradas na comunidade são de veiculação hídrica, relacio­ nadas diretamente à falta de coleta e tratamento de esgoto. Segundo a pesquisa, diarreias representam 25,3% do total das doenças registradas, segui­ das de leptospirose, com 21% e verminoses, 16,4%, sendo as crianças com idade entre O e 7 anos as mais atingidas. Das hos­ pitalizações ocorridas entre os moradores da região, nos anos de 2004 a 2006, 8,3% têm como causas doenças provocadas pela falta de saneamento. Das mortes registradas no mesmo período, 7,8% dos casos foram consequência dessas doenças.