Reforma e ampliação do sistema viário, obras de macrodrenagem e revitalização urbanística preparam a capital brasileira do petróleo para os próximos 20 anos de crescimento
Enfrentar os desafios do crescimento e preparar a cidade para o desenvolvimento econômico. Com essas metas, o projeto urbanístico "Planejando Macaé" apresenta soluções e alternativas para o trânsito, a infraestrutura urbana e a reforma de espaços que fazem parte da história e da cultura de Macaé, município de 200 mil habitantes localizado a 182 km do Rio de Janeiro.
Idealizado pela equipe técnica da prefeitura de Macaé em parceria com o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, o projeto foi estruturado após a realização de um estudo que possibilitou a definição do planejamento estratégico e a elaboração das diretrizes para a reformulação urbanística da cidade.
A alavancada de crescimento de Macaé começou nos anos 70, após a implantação da sede operacional da Petrobras Bacia de Campos na cidade. Mas o planejamento urbano não acompanhou o desenvolvimento econômico do município e Macaé cresceu de forma desordenada.
Por isso, o novo projeto integra medidas de curto prazo, com obras que vão impactar diretamente o cotidiano da população, e ações de médio e longo prazo, que prepararão a infraestrutura da cidade para os próximos 20 anos, considerando o crescimento previsto em função da nova etapa de exploração de petróleo na região: o pré-sal.
A recuperação e ampliação da RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto), a reformulação da orla de Imbetiba, que inclui criação de ciclovia, plataforma cultural e de uma passarela que funcionará como mirante, a macrodrenagem dos canais de águas pluviais e a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) serão as primeiras obras do "Planejando Macaé".
As etapas de médio e longo prazo do projeto contemplam a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô de superfície que ligará o Centro ao eixo Sul da cidade por um trecho de 12 km, e a revitalização da avenida Rui Barbosa e do Mercado de Peixes, que será transformado em Mercado Municipal. Veja detalhes dos projetos.
Orla de Imbetiba
Requalificação da orla é chamariz do projeto "Planejando Macaé". Veja os números do programa:
• 150 mil moradores beneficiados com as obras de macrodrenagem e saneamento;
• Ampliação da capacidade de escoamento das águas pluviais de 3 mil l/s para 10.500 l/s
• 4 km de canais de macrodrenagem pluvial;
• 150 km de redes de esgoto;
• 15 mil ligações prediais domiciliares;
• 5,9 km de interceptores;
• 15 estações elevatórias de esgotos;
• 12 km de metrô de superfície ligando o Centro ao eixo Sul da cidade;
• Cerca de 9 mil passageiros, por dia, no VLT de Macaé.

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| Na primeira etapa do projeto de macrodrenagem, a Prefeitura de Macaé investiu R$ 70 milhões, e na segunda etapa, de saneamento - incluindo a construção da ETE, investirá R$ 207 milhões |
Macrodrenagem
Para solucionar os problemas de enchentes causadas por chuvas fortes na região, o projeto de drenagem e saneamento da cidade prevê a implantação de canais e parques que permitirão o escoamento das águas, diminuído em função do assoreamento dos canais existentes e da impermeabilização do solo. O município de Macaé está localizado ao nível do mar e alguns bairros encontram-se abaixo do nível do mar.
No trecho que se estende do bairro Riviera até a rua Dr. Télio Barreto (rua paralela ao rio Macaé, no Centro), um canal artificial com extensão de cerca de 2,5 km foi construído sobre o canal já existente, aumentando a largura da cavidade de 1 m para 6 m. A criação de uma nova elevatória com quatro bombas de sucção no local ampliará ainda mais a capacidade de escoamento. Segundo o secretário de obras da Prefeitura de Macaé, Tadeu Campos, "após a conclusão das obras de macrodrenagem, a capacidade de escoamento de águas pluviais saltará de 3 mil l/s para 10.500 l/s, independentemente das comportas estarem abertas ou fechadas".
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A próxima etapa, prevista para este ano, será a construção da Estação de Tratamento de Esgoto de Virgem Santa (ETE), às margens da via expressa Linha Verde, numa área reservada onde há canais de deságue e um ecossistema bem posicionado para receber a estação. Em 2012, serão iniciadas as obras de saneamento, cuja complexidade exigirá um prazo de cinco anos para sua conclusão. "A meta da prefeitura é coletar e tratar o esgoto de 100% das casas, dos bairros periféricos ao Centro urbano da cidade", afirma o secretário de obras. As obras de macrodrenagem e saneamento vão beneficiar cerca de 150 mil moradores de 30 bairros diferentes, dos quais cinco encontram-se em torno de 25 cm abaixo da linha do mar.
Sistema Viário
As soluções apontadas para melhorar o tráfego na cidade incluem a duplicação da RJ-106, que terá melhores condições para receber o tráfego intenso dos cerca de 12 mil veículos que passam pela malha viária diariamente. A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) complementa a ampliação do sistema de transportes. O Metrô de Macaé fará o transporte diário de 9 mil passageiros, no trecho 1, cobrindo um percurso de 12 km entre o Centro e o eixo Sul da cidade.
Na RJ-106, dois trechos serão duplicados. A ampliação do primeiro perímetro - de 6 km e orçado em R$ 2 milhões, com recursos da prefeitura, da Petrobras e do Governo do Estado - engloba a construção de recuos para os ônibus nas margens da rodovia, com instalação de guaritas. O acostamento do trecho será transformado em pista e, simultaneamente, será feita a recuperação do acostamento nos pontos em que a pavimentação está danificada.
O Sistema Integrado de Transporte de Macaé registra, em média, 100.000 usuários por dia somente no sistema rodoviário. A existência de uma linha férrea, há três anos sem operação, favoreceu o projeto de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o metrô de superfície.

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| Os veículos leves sobre trilhos estão sendo construídos em Barbalha, no Ceará, e a previsão é que a primeira composição do VLT de Macaé chegue à cidade em março de 2012 |
Para dar maior mobilidade ao sistema, estão previstas a inclusão de desvios em todas as estações - permitindo o cruzamento dos veículos - a utilização de unidades bidirecionais e a integração ao sistema rodoviário.
O material rodante é similar ao adotado no Metrô do Cariri, no Ceará: composições com tração hidráulico-mecânica movidas a diesel, dois carros equipados com ar-condicionado, movimentação bidirecional, com três portas em cada lado, comunicação sonora e capacidade de transporte de 358 passageiros por composição. A velocidade máxima operacional será de 60 km/h. Na primeira fase serão construídas sete estações, sendo duas terminais: Imboassica e Central, e cinco intermediárias, do tipo tubular, inspiradas nas utilizadas em Cariri.
Após dois anos de planejamento e estudos, o projeto segue agora para a fase de licitações de itens como via permanente, estações, sistema de comunicação e controle operacional. Em sua segunda fase, a linha do VLT será estendida por mais 11 km na direção Norte, indo do Centro ao bairro Lagomar.
A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos terá um investimento total de cerca de R$ 72 milhões. Para financiamento da estrutura do Metrô Macaé, o projeto recebeu investimento de R$ 47 milhões do Governo Federal por meio do Ministério das Cidades, além dos R$ 25 milhões que serão custeados pela Prefeitura de Macaé para a aquisição de maquinário.
Revitalização urbana
O projeto Planejando Macaé dará início à requalificação da orla de Imbetiba ainda este ano e prevê a reforma da avenida Rui Barbosa e do Mercado de Peixes, localizados no Centro da cidade. Elaborado em parceria com a associação de moradores local, o planejamento de requalificação da Imbetiba visa restaurar uma área que hoje se integra à cultura da cidade e de seus moradores.
O projeto, orçado em R$ 15 milhões e criado em parceria pelos arquitetos macaenses Ian Wyatt Santos e Frederico Guedes e pelo carioca Francisco Viniegra, foi fundamentado na análise de uma equipe formada por geólogos, historiadores e técnicos que avaliaram a linha preamar local e as condições da natureza diante das intervenções propostas. Apesar de não haver histórico de ressacas no local, os arquitetos quiseram garantir que eventos futuros dessa natureza não destruam a orla.
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| No alto, material de divulgação da Prefeitura de Macaé mostra requalificação da orla de Imbetiba. Acima, detalhes do calçadão da avenida Rui Barbosa e o do Mercado de Peixes, que serão reformados, com a criação de espaços de convivência, áreas de degustação com vista para o mar, ampliação do comércio local e a requalificação das moradias dos pescadores que vivem nas imediações |
Segundo Ian Wyatt, o maior desafio do programa foi adequar o espaço urbano aos usos que a população faz dele sem prejuízo ambiental ou de ícones da história local, como a muralha e a área em que a população costuma fazer atividades físicas, que será transformada em arena esportiva. "A implantação da ciclovia nos apresentou um problema, pois o espaço entre as árvores e a muralha tornaria a pista muito estreita. A solução foi locar a ciclovia engastada na muralha. Assim pudemos preservar tanto a natureza quanto a história do local", detalha o arquiteto.
As obras em Imbetiba visam ainda privilegiar o pedestre e a visão da orla. Para isso, vias de mão dupla serão transformadas em vias de único sentido, 40% das vagas de estacionamento localizadas na calçada da praia serão retiradas e realocadas em ruas próximas. A construção de uma passarela suspensa por 6 mol de concreto protendido sobre cabos de aço e um mastro central de concreto, ligando um pier até o outro, também estão previstos.
A inclusão de soluções para pessoas com deficiência foi priorizada no projeto com a implantação de 11 faixas de pedestres com acessibilidade para cadeirantes, a criação de pisos táteis com sinais de atenção e direção para pessoas com deficiência visual e criação de vagas de estacionamento para pessoas com deficiência. A meta é que a requalificação esteja concluída até julho de 2012.
A revitalização da orla inclui também a criação de área de restinga na área na praia, com 400 m de extensão e 8 m de largura, revitalização de 800 m de calçada, instalação de área de brinquedos e de plataforma cultural, com palco de ginástica, pista de skate, arena esportiva e arquibancada para eventos com capacidade para 200 pessoas.
Fonte: Infraestrutura Urbana