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Apenas 1% das galerias foram reformadas

Três grandes buracos entraram no meio do caminho dos paulistanos esta semana. De acordo com especialistas ouvidos pelo JT, essas crateras surgem quando há falta de manutenção e vistoria nas galerias pluviais da cidade. São Paulo tem mais de 2.850 km de extensão desses ramais, que ligam as bocas-de-lobo aos rios. Segundo a Prefeitura, 34% dessas ligações, cerca de 989 km, passaram por vistoria este ano até outubro e 1% delas, 26 km, foi reformada.

No domingo uma cratera de seis metros de diâmetro complicou o trânsito na Marginal do Pinheiros. Ontem outras duas vias sofreram com o solapamento: Avenida Luís Dumont Villares, na zona norte, e Rua Sanitária, em Pirituba, na zona sul da capital.

Segundo o engenheiro Alirio Brasil Gimenez, diretor técnico da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto (ABTC), as crateras surgem quando há dois tipos de problema na galeria pluvial: deficiência técnica do produto utilizado na construção ou desgaste natural do equipamento. “A gente costuma projetar uma rede de drenagem para uma vida útil mínima de 50 anos. Mas hoje em dia existem em São Paulo galerias com aproximadamente 100 anos de idade.”

Ele disse que é economicamente inviável fazer uma vistoria em toda a rede, mas é preciso fazer um acompanhamento constante nas vias principais. “Em determinadas galerias a vistoria só é possível através de microfilmagem. O ideal é que esse check-up seja feito a cada cinco anos”, disse.

Segundo a Prefeitura, na Avenida Luís Dumont Villares, próximo à Estação Parada Inglesa do Metrô, uma caixa de um poço de visita da galeria de águas pluviais estourou e, com as fortes chuvas, o asfalto cedeu. A obra de reparo deve ser finalizada no domingo. Até lá a CET vai manter o bloqueio de duas faixas no sentido centro.

Para o engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, o excesso de carga também pode acelerar o desgaste da via. “O pavimento é dimensionado para receber um peso determinado por eixo. O excesso de carga pode danificar o asfalto e até romper as tubulações de uma galeria.” Segundo o engenheiro, a Prefeitura precisa fazer vistoria e, quando preciso, refazer os ramais. “Quando passou do limite de vida útil é preciso descartar a galeria e fazer outra.”

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirma que não são todas as galerias e ramais que precisam de serviços de inspeção e limpeza. Eles são realizados de acordo com o grau de necessidade de cada local.

Segundo a pasta, pontos com maior acúmulo de detritos recebem limpeza e inspeções mais frequentes para garantir o funcionamento do sistema. A secretaria informou que deu início à contratação de uma empresa, em regime de emergência, para iniciar a recomposição da galeria de Pirituba em 48 horas, no máximo.

Fonte: JT