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Duplicação da BR-376 em Iguatemi sai do papel

Depois de 10 anos, dezenas de acidentes e várias mortes, finalmente um trecho de 680 metros da BR-376, próximo ao distrito de Iguatemi, será duplicado, acabando com um jogo de empurra histórico entre o governo do Estado e a concessionária do trecho, a Viapar.

Ontem à tarde, o governo pagou as indenizações aos proprietários dos terrenos que serão cortados pela segunda pista e a previsão é de que até março a obra esteja pronta.

Os pagamentos, de pouco mais de R$ 300 mil, encerraram a fase de negociação. Agora o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) vai repassar a faixa à Viapar, para que a obra comece ainda neste mês. "Não há mais entraves para o início dos trabalhos, pois há 10 anos a Viapar já tem um projeto pronto e aprovado pelo governo", explicou o superintendente do DER no noroeste paranaense, Osmar Lopes. Segundo ele, primeiro serão construídos alguns emissários para águas pluviais e, em seguida, começa a construção da pista. Deverão ser investidos R$ 2,5 milhões.

A transferência da área para o DER foi assinada no cartório de Iguatemi por 24 proprietários dos seis lotes que terão uma faixa desapropriada. Cerca de 20 deles são da família Teixeira e nasceram nas propriedades por onde passará a segunda pista. Eles são herdeiros do pioneiro Manoel Teixeira, que formou um sítio de café no local há cerca de 60 anos e deixou-o como herança aos três filhos, Arlindo, Antonio e Mário. Ontem os netos do pioneiro festejaram o que eles consideraram fim da novela. "Eu queria muito que meu pai estivesse aqui para assinar este documento, pois ele sempre quis ver a rodovia duplicada, para que ninguém mais morresse em acidente neste trecho", disse Roderval Teixeira, filho de Mário. "Infelizmente, ele morreu no ano passado sem ver o sonho concretizado."

"Esse atraso não dependeu de nós", disse a também pioneira Mércia Roncada. "Faz 10 anos que nós concordamos com a desapropriação".

O atraso é apenas mais um dos capítulos da briga entre o governo Requião e as concessionárias de rodovias. A Viapar nunca escondeu que não conseguia duplicar o trecho porque o governo se negava a negociar a indenização com os proprietários. "Foi muito difícil explicar aos usuários da rodovia durante todos esses anos que a obra não saía", disse o gerente de Engenharia da Viapar, Jackson Seleme.

A disputa entre o governo e a Viapar custou vários atropelamentos, batidas e quedas de motos. Várias pessoas morreram. A rodovia, que segue em duas pistas, afunila em apenas uma para quem trafega no sentido Maringá-Mandaguaçu e acaba confundindo condutores que não conhecem a estrada.

Fonte: Grandes Construções