| Obra contra enchentes deve atrasar |
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Com as frequentes chuvas que atingiram Ribeirão Preto desde o começo de dezembro, a liberação de um dos mais importantes corredores de trânsito da cidade deve ficar para o ano que vem. Marcada inicialmente para o dia 15, a liberação completa da Avenida Jerônimo Gonçalves, no trecho que fica em frente ao Mercadão Municipal e a rodoviária, só deve ser possível no ano que vem.
Segundo o secretário de Obras, Abranche Fuad Abdo, além das chuvas, um dos maiores problemas é a colocação de uma passarela que exige a interrupção de tráfego e, por isso, deve ser feita em um domingo. "A passarela deve ser lançada apenas no próximo domingo", disse o secretário, em entrevista ao portal EP Ribeirão.
Outro trecho com problemas de conclusão fica entre as ruas Florêncio de Abreu e Lafaiete. As obras de alargamento e aprofundamento do córrego Ribeirão Preto foram concluídas, mas ainda não passaram por acabamento. De acordo com Abdo, a prefeitura e a construtora responsável estudam a possibilidade de aumentar as equipes e estender o horário de trabalho, na tentativa de diminuir o atraso.
Esta é a última etapa das obras antienchente, que tem o orçamento superior a R$ 100 milhões e foi dividida em quatro fases. A primeira parte das obras, iniciadas pelo ex-prefeito Welson Gasparini (PSDB) em 2008, foi entregue no começo de 2009. Já o segundo trecho, iniciado no ano passado, foi entregue no último dia 22 de dezembro de 2010.
O próximo passo é a conclusão do alargamento do canal até o início da avenida Álvaro de Lima, justamente a etapa que está em obras. Nesse local, a administração deve gastar R$ 52 milhões. Além disso, está previsto a quarta etapa, que custará mais R$ 16 milhões e irá modificar o leito do Ribeirão Preto na Vila Virgínia, bairro que tradicionalmente mais sofre com as chuvas. "Com a execução desse plano, será possível dizer que o problema das enchentes em Ribeirão, especificamente nessa área, será resolvido", comenta Abranche. O objetivo das obras é aumentar a vazão do córrego Ribeirão Preto, de 80 para 240 metros cúbicos, aprofundando o canal em um metro e meio e o alargamento do córrego em seis metros, de oito para 14 metros.
Não se pode dizer que o problema seja essencialmente novo em Ribeirão. A cidade, que nasceu em um vale, junto ao entroncamento de dois cursos de água (o Ribeirão Preto e o córrego do Retiro Saudoso), convive com o problema desde o fim do século XVIII, quando foram documentadas, através da imprensa da cidade, as primeiras enchentes.
Uma parte do município, construída em várzeas e pântanos, como a região da Avenida Francisco Junqueira, tinha como norma alagamentos, que contribuíam inclusive para a manutenção do ecossistema presente na região. Com a ocupação e o crescimento da cidade, o problema se agrava: quanto mais extensas as áreas impermeabilizadas, maior o volume de água das chuvas, levado pelas galerias pluviais e por enxurradas até os córregos.
Especialistas do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) que colaboraram com a prefeitura na elaboração de planos antienchentes ressaltam que uma conjunção de fatores torna os riscos de inundações cada vez mais prementes. A destruição da mata ciliar de cursos d'água que são afluentes do Ribeirão Preto e do Retiro faz com que a água ganhe maior velocidade. E na zona rural, a erosão e estradas inadequadas contribuem para o assoreamento dos córregos.
Gilberto de Abreu, vereador do PV, acredita que é possível introduzir mecanismos concretos de prevenção às enchentes. "Temos uma deficiência de estrutura, mas existem ações simples, como o projeto que obriga os edifícios a criarem um reservatório de contenção de águas pluviais, que podem ajudar muito", avalia.
Fonte: Grandes Construções