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Gastar e ganhar com saneamento

Nesse período de vacas magras, no qual é imposta uma ditadura das planilhas e quando cortes de despesas públicas são feitos sem critérios específicos, é importante analisar um estudo publicado pela Trata Brasil na semana passada sobre o saneamento básico. Para além da conta a ser paga em busca da universalização da oferta de água e esgoto, o instituto cruzou dados para mostrar o retorno não apenas social, mas também econômico dos aportes no setor.

A primeira conta que salta aos olhos é que, para um gasto anula médio de R$ 9,264 bilhões que o País fez entre 2005 e 2015, as obras de manutenção e expansão das redes de saneamentosustentaram quase 142 mil empregos e geraram ganhos de R$ 11,025 bilhões anuais. Ou seja, para cada R$ 1 mil investidos, o retorno só na cadeia produtiva da construção civil foi de R$ 1.190,00.

O custo atual para que o Brasil alcance a universalização do acesso à água e ao esgoto é de R$ 317 bilhões para os próximos 20 anos. Mas quando somados os ganhos totais esperados, incluindo economia na rede de saúde pública, redução das perdas de produtividade no mercado de trabalho, incremento no turismo e valorização imobiliária, o retorno pode alcançar R$ 537,4 bilhões em 2035. Considerando o legado da universalização, incluindo saúde, produtividade e valorização ambiental, a conta bateria em mais de R$ 1 trilhão.

A preocupação é na verdade global. A Organização Mundial da Saúde publicou relatório na última sexta-feira apontando que perto de dois bilhões de pessoas em todo o mundo bebem água contaminada, correndo grande risco de contrair doenças como cólera, disenteria, febre tifoide e poliomielite.

Para que sejam alcançadas as metas da Agenda 2030, o dispêndio global dos países precisa ser triplicado para US$ 114 bilhões anuais. Isso sem incluir custos de operação e manutenção dos sistemas. Fazendo a conta dos ganhos, talvez seja mais fácil convencer os governos a gastar.

Fonte: Miti