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Plataforma on-line facilita negociação de resíduos

Voltada à indústria, ferramenta da B2Blue permite que fabricantes ofereçam sobra de produção e busquem materiais descartados por outras companhias.

Fonte: DCI

Para as indústrias, dar uma destinação adequada aos resíduos provenientes da produção pode ser um desafio. De olho nisso, a startup paulistana B2Blue criou uma plataforma on-line para conectar companhias e possibilitar a comercialização das sobras de materiais.

Criada em 2012, a plataforma tem hoje 20 mil empresas cadastradas e média de 800 mil toneladas de resíduos anunciadas por mês, o que resulta em R$ 880 milhões negociados. Os itens mais anunciados são plásticos, metais, tecidos, eletroeletrônicos e vidro.

A fundadora e CEO da B2Blue, Mayura Okura, diz que a ideia foi mostrar às indústrias que "o lixo pode se tornar algo nobre". Com investimentos de empresários, muitos associados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e de investidores anjos, que injetaram de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões no projeto, a plataforma leva uma solução para o mercado, diz. "Queremos fazer conexões que viabilizam negócios e criam oportunidades para transformar resíduos descartados em produtos para outra empresa."

A partir de um anúncio criado por uma empresa, a startup gera com seu banco de dados uma lista de possíveis interessadas em comprar aquele resíduo específico. A promessa é entregar a relação de potenciais interessados em até 48h. Segundo Mayura, assim que as partes fecham negócio, a B2Blue mapeia as empresas envolvidas e planeja toda a logística para recolhimento e entrega do material.

O cadastro, os anúncios e a lista de interessados são gratuitos, mas a plataforma cobra por outros serviços. Se uma empresa quiser acesso aos dados de outra companhia que esteja no banco de dados, por exemplo, tem de pagar uma taxa. "Cobramos a partir de R$ 150 para cada empresa em que se deseja ter acesso aos dados, assim eles podem finalizar a negociação entre eles", diz.

Após ter acesso aos dados, as empresas podem interagir entre si sem a intermediação da B2Blue, trocando mensagens e firmando contratos. "A indústria também pode pedir um projeto de consultoria com a nossa equipe para ter maior valorização do volume gerado de resíduo", explica Mayura. De acordo com a fundadora, o trabalho envolve a ida de técnicos da startup até o cliente para análise do lixo gerado e qual sua melhor destinação.

A SPS Reciclagem, criada no início de 2016 para moer, lavar e vender Polietileno de Alta Densidade (Pead), viu na B2Blue uma forma de encontrar novos fornecedores. O diretor Paulo Hagop Saksanian conta que, desde que começou a usar a ferramenta, em janeiro de 2017, obteve duas parcerias em menos de 30 dias. "Uso a plataforma para fazer negócios, agregar valor ao meu produto, criar contatos", diz. Atualmente com uma carteira de dez clientes, que, segundo Saksanian, suprem toda a produção da SPS, usar a B2Blue foi uma forma de buscar novos interessados e melhorar o relacionamento com outras empresas da cadeia produtiva. "Não tenho tido problema para colocar os produtos no mercado, mas quero uma carteira variada para mitigar riscos e não ficar dependente de um cliente ou fornecedor", diz.

Para Saksanian, a plataforma contribui para ampliar seu networking, já que o coloca em contato com novos fornecedores, potenciais clientes e prestadores de serviço na cadeia do plástico. Além disso, ele diz que o suporte do serviço é atencioso e rápido, o que facilita o dia a dia. "Quando preciso de ajuda, eu falo o que quero comprar, eles vão lá e procuram", afirma.

Há mais tempo que a SPS na B2Blue, desde maio de 2015, a Grati Indústria e Comércio, que faz plástico e embalagens flexíveis, comercializa 10 toneladas de filmes plásticos, nylon, polietileno, BOPP e PET ao mês na plataforma. Segundo o gestor de qualidade da empresa, Alberto Carneiro de Araújo, essa movimentação rende R$ 5 mil por mês para a fábrica. "Se tivéssemos espaço para acumular mais antes de enviar, valorizaria ainda mais", comenta.

Na sua avaliação, a plataforma trouxe para a Grati empresas que compram os resíduos específicos da fábrica e isso ajuda a formar parcerias. "Pequenos e médios têm dificuldade de fazer contratos por conta do volume, e eles conhecem essas pessoas interessadas em menores volumes", diz. A empresa tem 400 clientes e, segundo Araújo, teria dificuldade de achar os mesmos interessados se tentasse fazer isso por conta própria.

Obstáculo

Para André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), a iniciativa resolve uma dificuldade. "O grande gargalo para a indústria fazer reciclagem de forma natural é a informação de quem vende e quem compra", afirma.

Para ele, todos saem ganhando porque quem vende os resíduos obtém receita dessa forma, e quem tem dificuldade de encontrar esses produtos pode negociar.

Fonte: Grandes Construções