História dos Tubos

A história dos serviços de esgotamento sanitário e drenagem de águas de chuva remete ao período desde antes de Cristo até a atualidade e sua evolução é marcada por fatos curiosos e obras de grande vulto, executadas com o sacrifício de gerações.

Do ponto de vista da indústria de tubos de concreto, a história pode ser organizada em quatro períodos conforme segue:

Período pré-1800

As primeiras obras de drenagem que surgiram se destinavam mais à proteção, ao conforto e à ostentação do que ao saneamento, na concepção da palavra que conhecemos atualmente.

Os primeiros registros são por volta de 3750 a.C, na cidade de Nippur, Índia, onde foi executada uma galeria de esgotos e drenagem em forma de arco. Em Tell-Asmar, nas proximidades de Bagdá, em 2600 a.C., foi executado um conduto subterrâneo para esgotamento das águas servidas e em Roma, foi a construção do coletor tronco com diâmetro máximo de 4,30m, destinado a coletar as águas pluviais e residuárias (Azevedo Netto, 1959).

Estas canalizações tinham a finalidade de remover a água de chuvas e, por isso, os resíduos das residências eram depositados nas ruas, onde se acumulavam até que fossem conduzidos para as canalizações através das chuvas (PCA, 1968).

Como resultado deste tipo de atitude, após as chuvas, as ruas se tornavam verdadeiros pântanos, com um lodo viscoso e agressivo a saúde, composto por esgoto e lixo de cheiro fétido irritante.

Esta condição permaneceu até o início do século XIX, quando sistemas de distribuição de água tornaram possível o uso da água para conduzir os despejos das grandes cidades, tornando-as mais limpas e criando melhores condições de saúde (ACPA, 1980).


Período de 1800 a 1880

Este período foi marcado pelo nascimento da indústria de tubos de concreto, que veio para atender as exigências do ponto de vista de saúde pública por água e tratamento dos despejos, além da necessidade na área de transportes, irrigação e drenagem.

No início da década de 1840, em Hamburgo na Alemanha, foi implantado o primeiro e moderno coletor de esgotos, construído pelo Engenheiro inglês W. Lindley (Azevedo Netto, 1959), onde as ligações domiciliares eram feitas diretamente a linha.

Logo após, em 1842, tem-se o registro da mais antiga instalação de tubos de concreto para esgoto sanitário nos Estados Unidos, que foi executada em Mohawk, Nova Iorque (ACPA, 1980). Os tubos de concreto reforçados com armaduras de aço sugiram em 1867, pela criação do francês J. Monier (Azevedo Netto, 1959).

No Brasil a primeira rede de esgotos foi iniciada no Rio de Janeiro em 1857 e concluída em 1864. Com a execução desta obra a capital se tornou a quinta cidade do mundo a ter sistema de esgotos sanitários, do qual faziam parte as redes coletoras e as instalações de tratamento, o que conferiu ao país posição de destaque no saneamento urbano. Posteriormente foram construídos os sistemas de esgoto em Recife (1873) e em São Paulo (1876). (Azevedo Netto, 1959).


Período de 1880 a 1930

Caracterizado pela modernização dos projetos e técnicas de construções de redes de esgotos e galerias de águas pluviais, bem como pela produção de tubos de concreto industrialmente, este período resultou em diversos avanços, incluindo o desenvolvimento de teorias hidráulicas, conceitos sobre cargas atuantes no tubo e normas para materiais e ensaios (ACPA, 1980).

Devido à reconhecida necessidade de melhoria de qualidade e capacidade de produção da indústria, em 1907 foi criada a Associação de Tubos de Concreto Americana "AMERICAN CONCRETE PIPE ASSOCIATION - ACPA". (Azevedo Netto, 1959).

Nas três primeiras décadas do século XX, pesquisadores da Universidade do Estado de Iowa desenvolveram e testaram teorias para estimar as cargas atuantes sobre um tubo enterrado. O conceito original desenvolvido por Marston e Anderson e publicado em 1913 foi aprimorado por Marston e Talbot. Logo em seguida Marston se uniu a M. G. Spangler e W. J. Schlick para continuar o trabalho de avaliação das cargas de projeto e, em 1930, Marston publicou "The Theory of External Loads on Closed Conduits in The Light of The Latest Experiments" (ACPA, 1980).

Em relação à qualidade dos tubos de concreto, muito foi feito nos primeiros anos desse século e o maior fórum para desenvolvimento destes estudos foi a American Society for Testing and Materials - ASTM. 1980. Em 1924 foi realizado o primeiro teste de resistência à compressão em um tubo de concreto de 700 mm de diâmetro por 1,50 m de comprimento, na fábrica da Companhia Americana de Produtos de Concreto, situada em Neville Island.


Período posterior a 1930

Nos anos seguintes à segunda guerra mundial a produção de tubos de concreto cresceu de forma significativa. Como exemplo, somente nos Estados Unidos a produção anual dobrou de 4 milhões de toneladas/ano até 1950, à mais de 10 milhões de toneladas/ano até 1970. Até o meio da década de 70 o valor anual de comercialização da produção excedia um bilhão de dólares.

Em meados de 1970, as preocupações quanto à questão ambiental aumentaram, assim como as restrições quanto à poluição de rios e despejo de efluentes em corpos hídricos. Nesse novo cenário global, os fabricantes de tubos de concreto se adequaram para melhorar a qualidade, durabilidade e resistência de seus produtos, investindo em tecnologias que garantissem a fabricação de tubos com bom alinhamento de encaixe para atenderem ao quesito de estanqueidade (ACPA, 1980). Inclusive o sistema de juntas sofreu uma grande evolução, sendo que até 1950 eram executadas com argamassa e após esse período passaram a ser executadas através do uso de anéis de borracha de vários tipos.

Em paralelo a essa adequação os fabricantes de tubos de concreto buscaram meios de diminuir custos mantendo a qualidade do produto final e com isso o mercado de maquinário foi bastante estimulado para poder oferecer máquinas que permitissem a compatibilização com novas tecnologias.

No Brasil, em 2001, foi criada a ABTC – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto, visando organizar o setor de tubos e aduelas no país, unindo os fabricantes para trabalhar na busca contínua de melhoria e qualidade nos produtos. Essa união resultou na criação de Normas Brasileiras para os tubos e aduelas de concreto, o que padronizou o setor e adequou a fabricação às necessidades das obras feitas pelo país. Além disso, a Associação também foi criada com o objetivo de prestar esclarecimentos e dar apoio técnico para consumidores, prefeituras e empresas de saneamento sobre as características técnicas e formas de aplicação dos produtos, por meio de cursos, seminários e eventos.

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